quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Projeto em Vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=9JZasm5ErAc
Projeto realizado por:
Carolina Castro
Juliana Coelho
Maria Aparecida
Marianna Magalhães
Mariana de Biase
Priscilla Queiroz
Tainah Soares
Vanessa Baião
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Globalização e Meio Ambiente
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A atual realidade brasileira chama a atenção para a enorme concentração do excedente gerado pela atividade econômica nas mãos de poucos, em detrimento de amplas camadas da população. Pressionadas pela pobreza e a necessidade instintiva de sobrevivência, essas minorias econômicas atuam de forma predatória sobre o meio ambiente, ocasionando desmatamentos de ecossistemas para moradia, alimentação, ou mesmo produção de energia. Exemplares da fauna silvestre, por exemplo, tornam-se fonte de alimentação para os excluídos. Hoje, o modelo de globalização vigente no mundo é uma das principais causas da deterioração ambiental, pois hipoteca o caráter sustentável do Planeta.
Os sistemas de livre mercado, que buscam o lucro a qualquer custo, permitem facilmente o desrespeito à natureza, cujos recursos são “gratuitos”. Os critérios que regem os sistemas de industrialização dos países desenvolvidos criaram as condições que afetam adversamente o ambiente. Desta forma, as causas da pobreza e da degradação ambiental nos países em desenvolvimento estão diretamente relacionadas com o modelo de desenvolvimento dos países industrializados, imposto aos países pobres, via FMI. Esse modelo causa danos ao meio ambiente por contribuir diretamente ao aquecimento global e a destruição da camada de ozônio e fomentar a desigualdade e a pobreza no mundo.
Privatização de Florestas
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O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), lançaram o primeiro edital para exploração comercial de madeira em uma floresta pública na Amazônia. A área concedida é a Floresta Nacional do Jamari (RO), que soma 96 mil hectares. O MMA usa como argumento para a concessão, o objetivo de evitar o desmatamento e a grilagem de terras.
Para o pesquisador em ecologia e manejos naturais da Universidade Federal do Acre (Ufac), Elder Andrade, os argumentos do MMA são falsos e o governo na verdade está privatizando algo público.
“Trata-se efetivamente da privatização das florestas públicas e o que é mais dramático nessa história é o argumento de que entregando para o madeireiro a floresta será preservada. Eu não sei quem pode acreditar em algo dessa natureza, porque a indústria madeireira, seja ela a pequena ou a grande, ela tem se caracterizado pela fraude”.
Quem vencer a licitação terá o direito de explorar a área por até 40 anos, com lucros estimados de R$ 450 mil por ano e por hectare. A expectativa é que o contrato com a empresa vencedora da licitação seja assinado em março de 2008.
"Todas as inverdades sobre a Lei de Gestão de Florestas Públicas estão agora sendo desconstruídas", afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao anunciar o calendário para o processo de licitação. Foi uma resposta às críticas que começaram a ser feitas a essa forma de gestão antes mesmo de o projeto ser enviado ao Congresso Nacional.
O Serviço Florestal estima que 13 milhões de hectares de florestas serão privatizados nos próximos dez anos.
Marina Silva
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Eleita aos 38 anos, Marina Silva foi a senadora mais jovem da história da República, tendo sido a mais votada entre os candidatos no estado, com 42,77% dos votos válidos. Sua atuação concentra-se nas áreas de direitos humanos, cidadania, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebeu o maior prêmio das Nações Unidas na área ambiental, o Champions of the Earth (Campeões da Terra) de 2007, como reconhecimento ao seu trabalho em favor da preservação da floresta amazônica e da valorização das comunidades locais e tradicionais da região. Entre 2003 e 2006, a ministra inaugurou um novo modelo de gestão ambiental no governo federal, cujo princípio básico é o envolvimento efetivo de diferentes setores de governo e da sociedade na busca de soluções para problemas de meio ambiente. Defendeu a cooperação entre os vários ministérios e governos estaduais, obtendo importantes resultados que refletem a capacidade do Estado e da sociedade em implementar uma política ambiental capaz de dar respostas aos desafios de conservação da atualidade. Com isso, conseguiu consolidar várias propostas da sociedade civil em novos instrumentos de política ambiental, como o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia e a Política Nacional para o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais, que abrange todos os biomas brasileiros.
Em anexo, um trecho de um artigo publicado no jornal "Folha de S. Paulo" de 21/04/2000 por Marina Silva:
O Sertão Vai Virar Mar
" O delírio de um beato - de que o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão -, quem diria, acabou se transformando na metáfora perfeita para contar o que nos acontece hoje em dia. Parece que tudo se mexe, nada mais quer ficar no lugar. Mas, ao mesmo tempo, está presente uma sensação angustiante, como respiração curta e incompleta, de que nada acontece, de que está tudo travado por algum nó imaginário.
Para dizer isso de maneira diferente, pode-se usar outra metáfora, tão presente nos últimos tempos. A dos "outros 500", que povoa os sonhos e os planos de tanta gente, para substituir os 500 anos de Brasil que se foram, colados a tanta injustiça, a tanta aberração. Mas, enfim, por mais insatisfatório que sejam, é o que temos para partir para outros diferentes 500.
Será que este é o momento de realização da profecia? Talvez não completamente, mas o sertão, como símbolo da maioria que herdou aridez e carência, na repartição dos 500 anos passados, quer virar mar, quer penetrar a imagem da exuberância e da fartura tão maldivididas.
A colonização empurrou os nativos para dentro do território e ficou com o "mar". Instalou-se na faixa litorânea, criou muita riqueza e cuidou ciosamente para que nunca fosse distribuída. Tomou de assalto e destruiu o que podia e não podia daquilo que parecia ser uma dádiva divina inesgotável. A natureza, os recursos naturais de toda espécie. É o que está por trás do balanço dos 500 anos de destruição florestal no Brasil, feito pela WWF: 93% da mata atlântica exterminados, 50% do cerrado, 15% da Amazônia (...). "
IPCC
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O IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), foi estabelecido para fornecer informações científicas, técnicas e sócio-econômicas relevantes para o entendimento das mudanças climáticas. Seus impactos potenciais e opções de adaptação e mitigação. É um órgão intergovernamental aberto para os países membros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) constituíram o IPCC em 1988.
O IPCC não realiza novas pesquisas nem monitoriza dados relacionados a mudança climática nem recomenda políticas climáticas.
O IPCC define a mudança climática como uma variação estatisticamente significante em um parâmetro climático médio ou sua variabilidade, persistindo um período extenso (tipicamente décadas ou por mais tempo). A mudança climática pode ser devido a processos naturais ou forças externas ou devido a mudanças persistentes causadas pela ação do homem na composição da atmosfera ou do uso da terra.
Prêmio Nobel da Paz
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O interesse de Al Gore, 59, pela ecologia vem de 17 anos atrás, antes de ser vice-presidente dos Estados Unidos durante o mandato de Bill Clinton (1993-2001), quando foi reeleito como senador democrata pelo Tennessee em 1990.
No entanto, o verdadeiro reconhecimento chegou após a estréia no ano passado do documentário "Uma Verdade Inconveniente", premiado como melhor documentário na última cerimônia de entrega do Oscar. O filme descreve as graves conseqüências do aquecimento global.
http://www.youtube.com/watch?v=GoFkFkolNcg
Muito antes, em 1991, publicou o livro "Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano", no qual falava sobre grandes mudanças ecológicas necessárias para enfrentar o século 21.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Ações individuais e coletivas recomendáveis:
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2. Usar os recursos da internet para conhecer mais sobre as questões críticas do nosso tempo: o esgotamento do petróleo e dos recursos materiais (água, solo, biodiversidade, minerais) e a degradação social;
3. Informar-se em livros sobre os novos temas, fazer cursos, participar de grupos de estudos;
4. Ajudar a pensar e criar eco-vilas e eco-cidades com interações positivas entre ambas;
5. Apoiar projetos agroecológicos e de consumo orgânico;
6. Aprender sobre externalidades econômicas negativas;
7. Saber o que são os serviços ambientais produzidos pelos ecossistemas e sobre as conseqüências de sua perda;
8. Aprender a usar a exergia (potencial energético) e a emergia (custo energético) para avaliar sistemas de produção e de consumo;
9. Passar da visão microeconômica a macroeconômica (exemplo: cadeias produtivas e seus impactos nos ecossistemas e na sociedade);
10. Estudar sobre indicadores de desempenho energético e ecológico dos sistemas;
11. Estudar a capacidade de suporte e como ela depende da apropriação do homem, da biomassa e dos energéticos fósseis;
12. Conhecer e calcular a pegada ecológica;
13. Aprender o que é renovabilidade, saldo energético líquido e índice de troca (em termos de emergia) para analisar o desempenho ecológico e energético e social dos sistemas;
14. Aprender a modelar sistemas e a prever cenários futuros;
15. Discutir quais seriam os indicadores mais adequados para priorizar programas e projetos;
16. Integrar conhecimentos e estabelecer interações sociais de maior qualidade, a nível local e internacional;
17. Fazer cursos sobre planejamento de bacias hidrográficas;
18. Participar das ações municipais relativas à proteção do clima, Agenda 21 e plano diretor;
19. Promover a adoção de impostos por carbono emitido e a compra de créditos de carbono;
20. Promover a reforma ecológica e social do sistema de produção e consumo, nos espaços locais, regionais e globais;
21. Compartilhar informação de boa qualidade.
A correlação entre unidade produtiva, unidade de consumo e atmosfera global
Cada unidade de produção e de consumo teria que ter um “certificado de sustentabilidade” e de “pegada ecológica”, os quais seriam elaborados a partir de seu balanço de materiais, energia e dinheiro.
O balanço deve incluir: contribuições gratuitas da natureza, subsídios econômicos, perda de serviços ambientais, externalidades (poluição de recursos hídricos, emissão de gases de efeito estufa, o manejo dos resíduos sólidos). O balanço deve incluir a fixação de CO2 e metano.
O certificado de sustentabilidade permitiria a análise dos sistemas de produção e consumo e tomar medidas para premiar ou punir (políticas públicas para a sustentabilidade).
O valor da pegada ecológica (hectares necessários por pessoa) pode apontar as alterações no estilo de vida necessárias para viver em um mundo em crise de recursos naturais, funções ecossistêmicas reduzidas e alta densidade populacional.
O efeito estufa, as conseqüências e as causas
fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=22&id=238
O que fazer? Como a universidade poderia colaborar?
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a. Usar a Teoria Geral de Sistemas e outras ferramentas científicas, de maneira correta, para estudar o aquecimento global como resultado do domínio humano da biosfera sob comando das empresas capitalistas.
b. Analisar ao mesmo tempo outras questões correlacionadas que são vitais como: perda da biodiversidade, perda da infiltração de água, perda do solo agrícola, desertificação, êxodo rural, desemprego, desvios de conduta social. Todas elas são facetas importantes do mesmo fenômeno global. Some-se a isso o esgotamento do petróleo que é a base energética que subsidia a economia industrial e a corrida empresarial para produzir biomassa energética de maneira antiecológica e anti-social.
c. Conhecer o volume dos fluxos de materiais e energia que são mobilizados nos ecossistemas naturais e naqueles dominados pelo homem para obter indicadores de desempenho termodinâmico e fazer um diagnóstico da situação. Divulgar os estudos que existem a respeito.
d. A sustentabilidade ecológica está dada pela proporção de recursos renováveis utilizados nos sistemas de produção e consumo. Hoje em dia a civilização depende dos recursos não renováveis e o desafio é retornar a padrões de alta renovabilidade. Isso deve ser discutido em múltiplos foros abertos.
2. Discutir nesses foros os resultados dos estudos sobre o funcionamento da biosfera e os motivos da crise com a finalidade de apontar soluções, as quais devem ser avaliadas.
3. Como muitas das soluções levantadas podem ser falsas ou inadequadas (por diversos motivos) é necessário estudá-las de forma sistêmica para analisar sua pertinência. A análise emergética-exergética é o melhor instrumento para a análise de sistemas complexos. A essa análise pode ser agregada a análise de pegada ecológica.
4. Divulgar publicamente os resultados desses estudos. Estudar e aplicar políticas públicas globais em prol da sustentabilidade, ultrapassando a visão estreita que é característica do sistema empresarial que vigorou até hoje.
5. Estabelecer mecanismos para acompanhar o desenvolvimento dos fenômenos biosféricos interligados (aquecimento global, elevação do nível do mar, inundação permanente de áreas agrícolas de baixa altitude, novas migrações humanas, perda da biodiversidade, perda da infiltração de água, perda do solo agrícola, desertificação, êxodo rural, desemprego, fome, desvios de conduta social, esgotamento do petróleo) e das medidas tomadas pela coletividade internacional, nacional, regional e local.
6. A transição ao Desenvolvimento Sustentável exige estratégias múltiplas e variadas. A universidade deve abrir-se para considerar todos os interesses. A Faculdade de Engenharia de Alimentos está organizando o I Simpósio sobre percepção de desafios científicos e novas estruturas organizacionais – NEO, no dia 13 de abril de 2007, das 13 às 18 horas, no Centro de Convenções: http://www.fea.unicamp.br/eventos/2007/NEO/
Era Glacial
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Diante desse fenômeno, as geleiras, aos poucos, soltaram-se das montanhas, fato que originou um grande desgaste nas rochas enquanto carregavam a argila por muitos quilômetros. Por fim, uma enorme área da região norte da Europa foi coberta por uma espessa camada de gelo.
Este acontecimento foi o marco inicial do Período Glacial (Era Glacial ou Idade do Gelo). O mundo todo foi afetado por este fenômeno, desde o continente europeu até as regiões centrais.
Os únicos seres que conseguiram sobreviver a este período foram os animais com maior quantidade pêlos, como por exemplo, o rinoceronte lanoso, os primitivos antílopes e alguns mamutes.
Ainda hoje, é possível encontrar parte das calotas glaciais deste período. As que estão em grande parte da Groelândia são um exemplo disto
No total ocorreram quatro glaciações durante o Período Glacial. Na passagem de uma para outra, ocorreram períodos mais quentes, época em que o gelo era derretido, formando lagos nos vales.
A comprovação da existência desses períodos foi feita por geólogos através de longo tempo pesquisando as rochas e fósseis. Entretanto, ainda não se descobriu a razão que levou a resfriamento da crosta terrestre. Há cientistas que acreditam que estamos entre um desses períodos quentes, que se resfriará daqui alguns séculos.
Gases do Efeito Estufa
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Concentração na atmosfera (ppm) dos cinco gases responsáveis por 97% do efeito estufa antropogênico (período 1976-2003.
A atmosfera é uma camada que envolve o planeta, constituída de vários gases. Os principais são o Nitrogênio (N2) e o Oxigênio (O2) que, juntos, compõem cerca de 99% da atmosfera. Alguns outros gases encontram-se presentes em pequenas quantidades, incluindo os conhecidos como gases de efeito estufa (GEE). Dentre estes gases, estão o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos (PFC's ) e também o vapor d’água. Nos último 100 anos, devido a um progressivo incremento na concentração dos gases de efeito estufa, a temperatura global do planeta tem aumentado. Tal incremento tem sido provocado pelas atividades humanas que emitem destes gases. A potencialização do efeito estufa poder ter conseqüências sérias para a vida na Terra no futuro próximo. Ecólogos sugerem que o aquecimento global deve alterar o clima a uma velocidade maior que a capacidade de adaptação dos organismos. O efeito pode ser devastador para a biodiversidade e ecossistemas do mundo inteiro (RICKLEFES, 1996; ROMANINI, 2003). Outros cientistas questionam essa hipótese e acreditam que as conseqüências do aumento de CO2 na atmosfera levaria a uma maior produção vegetal, particularmente nas regiões onde o clima e os nutrientes do solo não são fatores limitantes para a fotossíntese (RICKLEFS, 1996). Nesse contexto, a atenção dos cientistas tem sido direcionada às florestas tropicais, por serem possíveis sumidouros naturais de CO2. Dentre as florestas tropicais, a Floresta Amazônica destaca-se por ser a maior floresta tropical do mundo.
Entre os gases do efeito estufa que estão aumentando de concentração o (CO2), o CH4 e o N2O são os mais importantes. Os CFC's também têm a capacidade de reter a radiação infravermelha emitida pela Terra. Contudo, as ações para diminuir suas emissões estão num estágio bem mais avançado, quando comparado com as emissões dos outros gases. Historicamente, os países industrializados têm sido responsáveis pela maior parte das emissões globais de gases de efeito estufa. Contudo, na atualidade, vários países em desenvolvimento, entre eles China, Índia e Brasil, também se encontram entre os grandes emissores. No entanto, numa base per capita, os países em desenvolvimento continuam tendo emissões consideravelmente mais baixas do que os países industrializados. Na fonte da emissão também pode se observar um padrão global. Enquanto a maior parte das emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis (75% das emissões globais de CO2) provém dos países industrializados, as emissões decorrentes das mudanças no uso da terra (25% das emissões globais de CO2) tem como seus maiores responsáveis os países em desenvolvimento.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
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Resfriamento global
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Mia Couto
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terça-feira, 26 de junho de 2007, às 14h56
O biólogo e escritor moçambicano Mia Couto dará seqüência ao ciclo de conferências Sentimentos do mundo, promovido pela UFMG em comemoração a seus 80 anos de fundação. A palestra do autor acontece, na próxima terça-feira, 3 de julho, no auditório da Reitoria (avenida Antônio Carlos, 6.627 - campus Pampulha). O debatedor será o professor Wander Melo Miranda, diretor da Editora UFMG e docente da Faculdade de Letras (Fale).
António Emilio Leite Couto, mais conhecido por Mia Couto, foi jornalista e diretor da Agência de Informação de Moçambique (de 1976 a 1979), da revista Tempo (de 1979 a 1981) e do jornal Notícias (de 1981 a 1985). Em 1989, abandonou a carreira jornalística e concluiu o curso de Biologia, especializando-se na área de ecologia. Mantém colaboração com jornais, cadeias de rádio e televisão, em Moçambique e no exterior. Seus livros foram traduzido em várias línguas e receberam inúmeros prêmios em diversos países.
Obras e prêmiosEntre as obras de Mia Couto, estão incluídos a coletânea de poemas Raiz de Orvalho (1983); os volumes de contos Vozes anoitecidas (1987), Cada homem é uma raça (1990), Estórias abesonhadas (1994), Na berma de nenhuma estrada (2001) e O fio das missangas (2003); os de crônicas O país do queixa andar (2003) e Pensatempos: textos de opinião (2005); os romances Terra sonâmbula (1992), A varanda do Frangipani (1996), O último vôo do flamingo (2000), Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002), A chuva pasmada (2005) e O outro pé da sereia (2006).
O escritor foi agraciado com vários prêmios por suas obras literárias. Terra sonâmbula recebeu o Noma Award, escolhido entre os 12 melhores livros do século XX de toda a África, e, no Brasil, o prêmio como um dos Melhores de 95, título concedido pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo. Já Vozes anoitecidas recebeu, em 1993, o Prêmio Nacional de Literatura.Em 1999, Mia Couto recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra e, em 2001, foi o primeiro autor a receber o Prêmio Mário António, concedido pela Fundação Gulbenkian. Seu conto The Russian Princess foi indicado para o Caine Prize for African Literature. Em março de 2005, O último vôo do flamingo recebeu, na Inglaterra, menção especial do The Independent Foreign Book Prize. Em 2007, ele recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas.
Wangari Maathai (Ecologista queniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2004)
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Rio-92 (Convenção do Clima de 92)
O compromisso do Brasil com o meio ambiente já começara 20 anos antes, quando o País participou da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972, em especial no seu período preparatório de dois anos, quando a Conferência contou com ativa contribuição brasileira no sentido de introduzir, de modo inseparável, a temática do desenvolvimento no contexto mais amplo das questões do meio ambiente. Esse marco inicial dos esforços internacionais para a proteção do meio ambiente viu-se prejudicado, contudo, por ter ocorrido num momento histórico em que os alinhamentos Leste-Oeste e Norte-Sul impediam reais ações concertadas para o benefício da Humanidade.
Na Conferência do Rio, ao contrário de Estocolmo, a cooperação prevaleceu sobre o conflito. Neste sentido, ao abrir novos caminhos para o diálogo multilateral, colocando os interesses globais como sua principal preocupação, o significado da Cúpula do Rio foi muito além dos compromissos concretos assumidos, pois mostrou as possibilidades de compreensão em um mundo livre de antagonismo ideológico.
Os compromissos específicos adotados pela Conferência Rio-92 incluem duas convenções, uma sobre Mudança do Clima e outra sobre Biodiversidade, e também uma Declaração sobre Florestas. A Conferência aprovou, igualmente, documentos de objetivos mais abrangentes e de natureza mais política: a Declaração do Rio e a Agenda 21. Ambos endossam o conceito fundamental de desenvolvimento sustentável, que combina as aspirações compartilhadas por todos os países ao progresso econômico e material com a necessidade de uma consciência ecológica. Além disso, por introduzir o objetivo global de paz e de desenvolvimento social duradouros, a Rio-92 foi uma resposta tardia às gestões dos países do Sul feitas desde a reunião de Estocolmo.
As relações entre países ricos e pobres têm sido conduzidas, desde a Conferência do Rio, por um novo conjunto de princípios inovadores, como os de "responsabilidades comuns, mas diferenciadas entre os países", de "o poluidor paga" e de "padrões sustentáveis de produção e consumo". Além disso, com a adoção da Agenda 21, a Conferência estabeleceu, com vistas ao futuro, objetivos concretos de sustentabilidade em diversas áreas, explicitando a necessidade de se buscarem recursos financeiros novos e adicionais para a complementação em nível global do desenvolvimento sustentável. A Conferência do Rio foi também audaciosa ao permitir uma grande participação de organizações não-governamentais (ONGs), que passaram a desempenhar um papel fiscalizador e a pressionar os governos para o cumprimento da Agenda 21.
Com vistas a avaliar os cinco primeiros anos de implementação da Agenda 21, realizou-se em Nova York, de 23 a 27 de junho de 1997, a 19ª Sessão Especial da Assembléia-Geral das Nações Unidas. Além de ter procurado identificar as principais dificuldades relacionadas à implementação da Agenda 21, a Sessão Especial dedicou-se à definição de prioridades de ação para os anos seguintes e a conferir impulso político às negociações ambientais em curso. Graças à expressiva presença de Chefes de Estado e de Governo, a Sessão Especial representou uma reafirmação perante a opinião pública mundial da importância atribuída à temática do desenvolvimento sustentável.
Para os países em desenvolvimento, o principal resultado da Sessão Especial foi a preservação intacta do patrimônio conceitual originado da Conferência do Rio. O documento final incorporou, assim, uma "Declaração de Compromisso", na qual os chefes de delegação reiteram solenemente o compromisso de seus países com os princípios e programas contidos na Declaração do Rio e na Agenda 21, assim como o propósito de dar seguimento a sua implementação.
Efeito Estufa e o Desequilíbrio do Clima
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O frágil equilíbrio natural do clima foi rompido com a revolução industrial. A temperatura global média aumentou 0,74ºC entre 1906 e 2005. Os anos mais quentes ocorreram de 1995 para cá. Segundo o relatório de pesquisas dos cientistas do IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (fev. 2007) :- não restam dúvidas de que o aquecimento do planeta está sendo provocado pela ação humana;- a temperatura média do planeta subirá de 1,8ºC a 4ºC até 2100 (3ºC em média);- furacões e ciclones terão mais força; - as áreas de seca devem se expandir; - teremos ondas de calor mais intensas, mais inundações;- o nível do mar deve aumentar entre 20 e 60 centímetros até o fim do século, sem levar em conta os efeitos prováveis do degelo dos pólos; - metade de todas as espécies animais estarão sob risco de extinção no fim do século 21.
O possível impacto do aquecimento global no Brasil previsto por pesquisadores brasileiros do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) :- Nos próximos anos, as regiões Sul e Sudeste vão sofrer com chuvas e inundações cada vez mais freqüentes.- A floresta Amazônica pode perder 30% da vegetação, por causa de um aumento na temperatura de vai de 3ºC a 5,3ºC até 2100. - No Nordeste, até o fim do século, a variação deve ficar entre 2ºC e 4ºC. - O nível do mar deve subir 0,5 metro nas próximas décadas e 42 milhões de pessoas podem ser afetadas. - O aumento na temperatura no Centro-Sul do país deve ser de 2ºC a 3ºC, aumentando a força das tempestades.O Brasil precisa de um plano nacional de mudanças climáticas englobando vulnerabilidade, impactos e adaptação.
A concentração de gás carbônico ou dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu principalmente pelo uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) em termelétricas, indústrias, automóveis e também pela devastação e queima de florestas. O CO2 é o gás que mais contribui para o aquecimento global. O gás carbônico emitido hoje permanece na atmosfera por um longo relativo tempo (cerca de 100 anos).
OS MAIORES POLUIDORES
Os países industrializados são os maiores responsáveis pela emissão de gás carbônico na atmosfera. A maior parte da degradação foi causada (historicamente) pelos países desenvolvidos.Os EUA com 4% da população mundial, são os responsáveis por mais de 20% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa. Através do Protocolo de Kyoto, acordo internacional promovido pela ONU, em vigor desde fevereiro de 2005, vários países industrializados se comprometeram a reduzir em 5% as emissões de gases do efeito estufa até 2012 em relação aos níveis de 1990. O governo do presidente George Bush se recusou a assinar o tratado. Contrários a esta decisão, prefeitos de centenas de cidades americanas assumiram compromissos para reduzir suas emissões.
Para atingir suas metas, os países ricos podem contar com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a compra de “créditos de carbono” dos países em desenvolvimento, como o Brasil, adotando projetos que comprovadamente reduzam as emissões de gases de efeito estufa nos setores energético, de transporte e florestal (contempla o plantio de árvores mas não a conservação de florestas já existentes).
Os países desenvolvidos que mais emitiram gás carbônico em 2004 foram nesta ordem : EUA, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Austrália, Itália, França, Espanha e Polônia. Os dados são do documento oficial da Convenção de Clima das Nações Unidas, 2006. (UNFCCC)
Considerando todos os países, os que mais contribuem para o efeito estufa são : EUA (20%), China (15%), União Européia (14%), Rússia (6%), Índia (5,6%), Japão (4%), Alemanha (3%), Brasil (2,5%), Canadá (2,1%) e Inglaterra (2%). Fonte : World Resources Institute (2005).
A China superou os EUA em emissão de CO2 em 2006, por 7,5%, segundo a Agência de Avaliação Ambiental da Holanda. Os países desenvolvidos transferem muita indústria manufatureira para a China. O país com uma população de 1,3 bilhão, emite cerca de 4,7 toneladas de CO2 por habitante, contra 19,2 toneladas nos EUA.
A demanda global por energia subirá muito nas próximas décadas devido a ascensão econômica da China e da Índia, países que reúnem 40% da população mundial. As duas nações tem como principais fontes o carvão mineral (energia "suja"). Uma alternativa é o desenvolvimento de novas tecnologias que utilizam a biomassa.O Brasil se baseia principalmente nas hidrelétricas para gerar energia (limpa), mas consideradas as emissões totais de gases do efeito estufa liberados pelas queimadas e pela agropecuária, o Brasil é um dos maiores poluidores. O país necessita conter desmatamentos e queimadas. Uma das funções das florestas é absorver gás carbônico da atmosfera através da fotossíntese, promovendo o sequestro de carbono. No Brasil, as queimadas na Amazônia respondem pela maior parte das emissões de gases que produzem o efeito estufa. Esta gigantesca região necessita de medidas de conservação. Quando se derruba uma árvore, o gás carbônico que estava estocado nela vai para a atmosfera.
Embora tenha 45% da energia originada de fontes não-poluentes e da produção de biocombustíveis, o Brasil precisa de uma política pública eficaz contra o desmatamento para impedir o aumento das emissões de gás carbônico. Atualmente, o Brasil é o quarto emissor de gás carbônico do mundo, despejando cerca de um bilhão de toneladas por ano, segundo o Ministério de Ciência e Tecnologia. As razões desse volume não estão nos veículos ou nas chaminés das fábricas. Isso porque 75% das emissões do principal gás causador do efeito estufa são provocadas pelas derrubadas de árvores. (Agência Brasil 02/07/07).No setor de energia, o Brasil teve importantes iniciativas ao desenvolver o programa do álcool e biodiesel, além de possuir grande potencial para a implementação de sistemas de energia solar, eólica e de aproveitamento de biomassa.
A queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e os impactos do aquecimento global ameaçam as florestas. O ambiente quente e seco fica mais vulnerável ao fogo. Se o mundo não for capaz de controlar a emissão de gases poluentes, a floresta Amazônica entrará em colapso. Grandes porções da floresta se tornarão área de cerrado (processo de savanização) e causará uma grande perda de biodiversidade.
Segundo o WWF, "o motor hidrológico da Amazônia tem um grande papel na manutenção do clima global e regional. A água liberada por plantas na atmosfera e por rios no oceano influencia o clima mundial e a circulação das correntes oceânicas".
Em média, cada americano é responsável pela emissão de cerca de 22 toneladas de dióxido de carbono por ano, de acordo com as estatísticas das Nações Unidas, um número per capita muito maior do que em qualquer outra nação industrializada, onde a média de emissão é de 6 toneladas de dióxido de carbono por pessoa.
OUTROS GASES DO EFEITO ESTUFA
Os clorofluorcarbonos (CFCs) produzidos pela indústria química, também são gases que provocam o efeito estufa e destroem a camada de ozônio que protege a Terra contra os raios nocivos do sol que provocam danos na vegetação e câncer de pele em humanos. Devido a um acordo internacional, o Protocolo de Montreal, que determina a eliminação de todas as substâncias que destroem a camada de ozônio, os CFCs foram banidos de refrigeradores, condicionadores de ar e aerosóis. Com este esforço global, cientistas esperam uma recuperação lenta da camada de ozônio, porém a situação na Antártica vem piorando nas últimas décadas.
A presença média de CO2 registrada durante o ano de 2005 na atmosfera terrestre foi 35,4% acima do que havia em tempos pré-industriais. Já a concentração de óxido nitroso aumentou 18,2% desde o século 17, gerada principalmente pela queima de combustíveis fósseis, biomassa, pelo uso de fertilizantes e em processos industriais. A presença do metano na atmosfera terrestre cresceu 154,7% desde o início da era industrial. Estes dados são do boletim publicado pela OMM - Organização Meteorológica Mundial, vinculada à ONU.
A ilha Groelândia vem perdendo gelo para o mar em volume elevado e as rachaduras vêm desestabilizando parte das geleiras.Blocos de gelo do tamanho de pequenos países têm se desprendido da Antártida.O verão de 2003 na Europa foi o mais quente dos últimos 500 anos e ocasionou milhares de mortes atribuídas ao calor.
Em 2004, chegou ciclone no litoral sul do Brasil desabrigando mais de 33.000 pessoas e causou prejuízos de mais de R$1bilhão.Houve seca na Amazônia em 2005 influenciada pelo aumento da temperatura na superfície do Atlântico, isolando 35 municípios. Inúmeras embarcações ficaram encalhadas.O total de áreas atingidas por secas dobrou em 30 anos. Os desertos avançam. Cientistas britânicos do Instituto Hadley calculam que, até o ano 2100, um terço do planeta vai virar deserto.A poluição do ar provocada principalmente pela queima de combustíveis fósseis, mata 2 milhões de pessoas ao ano, segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde.
Os oceanos absorvem um terço do gás carbônico que jogamos na atmosfera e estão se tornando mais ácidos, ameaçando os corais e a biodiversidade marinha.
Os efeitos climáticos tendem a ficar mais frequentes e extremos.O aquecimento crescente poderá provocar entre outras consequências : incêndios florestais de difícil controle, alteração nos regimes das chuvas, avanço do mar sobre os rios e o litoral, escassez de água potável, destruição de habitats e a consequente perda de biodiversidade (acentuada extinção espécies afetando ecossistemas), perdas agrícolas, mais fome, migrações de comunidades vulneráveis (problemas sociais) e ameaças à saúde das pessoas (dengue, malária, desnutrição, doenças por contato com água contaminada).
No filme "Uma Verdade Inconveniente" lançado em 2006, Al Gore (EUA) alerta que a humanidade está sentada numa bomba relógio. Ele diz que temos apenas dez anos para evitar uma enorme catástrofe que pode alterar todo o sistema climático do nosso planeta, e que resultará numa destruição épica - uma catástrofe criada por nós mesmos. O filme mostra que a concentração de CO2 na atmosfera hoje é maior do que em qualquer outro momento dos últimos 600 mil anos. Estudos demonstram que altas concentrações de gás carbônico na atmosfera vem acompanhadas por períodos quentes no planeta.
A falta de iniciativa custará à economia mundial entre 5% e 20% do Produto Interno Bruto, enquanto reduzir as emissões de CO2 agora representaria apenas 1% do PIB, segundo o Relatório Stern, do governo britânico. Se a mudança climática for ignorada, poderá causar uma catástrofe econômica comparável a uma guerra mundial.
O problema exige mudanças em muitos hábitos de consumo. Os cidadãos em todo o mundo, enquanto eleitores, tem o poder de pressionar seus governos a impor limites para as emissões e a adotar fontes de energia renováveis.
A Terra pede socorro. Precisamos agir já. Não dá para adiar medidas urgentes.